
“E para isto estou viva.” Para que doa. Para que sangre. Para que o sentimento escorra de mim feito água da chuva que passou,e que com o rodo a gente expulsa de casa. Para que dentro se forme e se reforme a mulher, a pessoa, a essência. Para que eu saiba não saber. Para que eu aceite a vida me carregando ora feito marola, ora feito enchente. Para que eu queira, e o querer me leve. Para que eu não queira, e o não querer me encerre dentro da concha,pérola em(eterna)maturação. Para que o sofrer me manche o rosto, das lágrimas que caem deixando quase sulcos, rastros, quase rugas. Para depois não sofrer mais, e o rosto, desafiando as leis do tempo, rejuvenesça num sorriso inesperado de menina. Mas estou viva. Viva feito bicho, feito árvore, feito a terra. Viva, feito gente. Viva, andando com meus passos nos caminhos deste misterioso destino que (talvez) lá de cima, cuidadoso feito mulher rendeira, o criador dia-a-dia tece.