sábado, 20 de março de 2010

De veias e poros abertos jorra de si seu mundo. Os sorrisos pequeninos, as lágrimas secretas (e outras nem tanto). Os sonhos que julga reveladores. A imagem nublada no espelho. Os sentires variáveis. O ontem, o hoje e o amanhã. Um ser do avesso encarando seu melhor, seu pior, e o que, mesmo sendo seu, desconhece. A vida girando num calor incessante e os dias correndo páginas no calendário. Viria uma grande mudança? Que mulher seria quando a tempestade passasse? No entanto, até gosta das vezes em que não se alcança: se sente maior. Há um conforto em saber que não se sabe. Perdida em fragmentos de si mesma que estão por rearranjar-se, se vê ora multiplicada, ora partida. E, confusa, costura a rotina.

sexta-feira, 12 de março de 2010



Se eu pedisse o impossível, seria premiada pela coragem de ter pedido? Se eu estendesse a mão, tocaria teu rosto que sai do pensamento e enevoado paira num fim de tarde qualquer? Se eu sentisse e não calasse, seguiria pelos dias velando o que sinto feito um segredo, uma relíquia, escondido num sorriso de Monalisa? Se eu me expandisse para além de mim, espalhando meu ser com tentáculos, me aumentando em outdoors, me revelando em qualquer notícia de jornal, alcançaria, chegaria aí? E se do coração nascessem flores, e se da voz doces palavras manchassem a sisudez e o confortável? E se os olhos traíssem a alma, toda cuidadosa em se mostrar aos poucos? E se as lágrimas se transformassem em enunciados, em grandes verdades caindo do rosto? E se as máscaras e armaduras não coubessem mais, e cada um fosse pra o mundo o que exatamente é?Quando as emoções levantam as ondas e golpeiam a areia, incessantes, calar não é opção.

P.S.:Imagem tirada de http://www.walkiria.com.br/shop/catalog/images/mar_revolto.jpg