
Eu me faço feito pérola na concha, aos poucos, no oco, no silêncio. O mar vai me embalando na cadência de músicas que mudam de tom. O sal me arranha com carinho, as ondas no sobe e desce dos sentidos, as marés no vai e vem dos dias. De tudo o Sol aquece, pouco da Lua se esconde. A umidade do côncavo matura as idéias, o quente do escuro que pulsa apressa decisões. A vida é, a vida me é, simplesmente, organicamente, sabiamente, sem rodeios. E o tempo segue seu curso, puxando a concha pelas correntezas.