sábado, 27 de outubro de 2007
Não ser.Não sentir.Passar os dias na serenidade do não conhecer.Não saber e por não saber,não sentir falta.Não viver.Não perceber as sutilezas escondidas em sorrisos,gestos,olhares.Não diferenciar céu azul de céu fechado.Não se alegrar com a grandeza do crepúsculo.Não se emocionar com o nascer do sol.Não se impressionar com a força das marés.Não saber ler as entrelinhas dos dizeres,dos discursos.Não se embriagar com os aromas,perfumes diversos.Não indagar.Não questionar.Não ver as flores que nascem nos jardins das redondezas.Não notar que do dia veio a noite e depois veio o dia.Equivocar-se e achar que tudo é cinza,tudo é negativo,tudo é não.Não crer na possibilidade do sim.Não esperar.Não acreditar nas mudanças,nas transformaçoes,nos ciclos da vida,no renascimento,na criação,na destruição e na renovação.Mal viver.Existir,apenas.De tantos caminhos,escolher esse só se for por desespero.Melhor é arrepiar-se com cheiros,trocar carícias,desejar contatos e encontros,amargar e superar desencontros .Melhor é provar da fruta,do sumo e até do caroço,deliciar-se com cores e sabores,perder-se na diversidade que atiça os sentidos.Mesmo que tudo se confunda,desande e azede depois.
Um comentário:
E mesmo que n confunda,desande ou azede um dia acaba e é bom ter intensamente as coisas antes desse acabar. Acho que é por ai o seu texto, gostei dele.
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