Solta!-gemeu,cínica.
Gostava do jogo tanto quanto eu.Ficou me olhando da beira da cama.Nua,sempre me pareceu mais madura do que quando estava vestida.A cicatriz de apendicite perto do umbigo,os longos cabelos que sempre caiam sobre os seios,os olhos de gata que a franja tocava.Sabia do seu poder sobre mim e por isso abusava.Fez um muxoxo e continuou imóvel,me encarando,como se eu tivesse cometido a maior das indelicadezas.
Já está anoitecendo -eu disse- e me levantei para fumar perto da janela.
Você não vai me pedir desculpa?
Ah,por favor...vê se cresce,menina!-disse irritado.
Observei o engarrafamento que se formava e o céu quase roxo do crepúsculo.Senti que ela se aproximava,sorrateira,mas não me mexi.Segurou meu sexo com uma espécie de veneração,como uma criança diante do brinquedo mais almejado.Começei a perder terreno,a ceder.
Pare,não comece!Já está tarde!
Não,vamos,ainda dá tempo!Só mais uma,ok?-pedia,com aqueles olhos felinos.
Tentei me afastar,mas ela me agarrou com força e cravou as unhas cor de rosa no meu traseiro.Era sempre excitante vê-la passar de menina caprichosa a mulher experiente em meros segundos.E eu,por mais que tentasse(tentava?),me deixei levar,de novo.Apaguei o cigarro e voltamos pra cama.Na cama,éramos mais do que jamais seríamos fora dela.Eu,um funcionário público apático e amarelado feito os arquivos que engavetava diariamente.Ela,uma lolita mimada e entendiada,que um dia decidira me seduzir só para ter o que fazer à tarde.Logo,eu seria deixado de lado.Por isso,aceitava tudo.Jamais tingi o caso com um verniz romântico.Por mais que ela se esforçasse para me agradar como se eu fosse seu príncipe encantado,não sabia mentir.Nem eu.Era só sexo,e pronto.Mas era o melhor que havia tido em anos.
Não pára!-gritou,rindo de prazer.
Fascinado,porque não era a primeira vez que a fazia gozar naquela tarde,continuei.Continuamos.Eu também ria,vitorioso.Perdido na iminência do orgasmo,não ouvi baterem na porta.Quando abri os olhos,exausto,feliz,não pude conter um grito de horror.Minha mão que segurava seu seio direito estava suja de sangue.Ela jazia,fria,a boca semi aberta num grito que não sairia,os olhos eternamente fixados numa expressão de pavor.Eu não consegui me mexer.Foi então que ouvi a voz anasalada,fria,que jamais esqueceria:
-Finalmente vou poder te provar que sou melhor do que ela!
6 comentários:
eita que essa menina vai longe!
;)
=***
se vc continuar insistindo insisitindo em nao publicar td isso de uma maneira mais material, por assim dizer, vou ter que tomar uma atitude...
bjos
quem desapareceu?
eu ou tú?
boa semana pra ti
beijos!
Olá!
tu tem frases fantásticas aqui!
estava ansiosa pra encontrar alguem pra compartilhar as últimas obssessões literárias quando te vi no blog de ricardo.
acho que as oficinas do fenart fizeram um bem danado pra todos né?
Inara
[ da oficina de marçal]
p.s.: estavas la, né?
Inara realmente as oficinas foram muito boas! =)
Obg pelo elogio!
E vamos todos continuar a ler,a escrever,a ler mais,a viver,a escrever mais...
QUe P texto. LIndo, forte, perfeito. Adorei.
Camilla
www.essepapo.nafoto.net
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