sábado, 3 de janeiro de 2009
Os amantes
A língua percorre um caminho já conhecido,e mesmo assim,saboreia cada curva,relevo,planície,declive...O corpo suspira,receptivo.Tendo andando e provado,a língua sai de cena,e dá lugar às mãos,que tateiam,apalpam,pegam,quase com raiva,quase como se fossem deixar cair o que têm,seguro,que preenche e incita.Já não há mais resistência,e se reconhecendo,e se permitindo,os dois corpos se encaixam,em sintonia.Às vezes um samba,outras vezes um rock,às vezes um tango,um fado,um lamento.Os olhos se fecham,para que se percam não só um no outro,mas em si mesmos,dentro daquilo que mais desejam,e que não revelam de todo,feito a ponta de um iceberg que vaga num mar junto dos outros,alguns mostrando-se mais,outros menos...Os amantes se dão.Saliva,suor,sémen,lágrima.E o que começa nem sempre é o mesmo que termina.E o que outrora se abriu,se fecha.Lacrados,em conchas,que a maré leva e traz. Voltam às suas respectivas vidas,ao que existe fora do que existe,quando eles existem,ali,só pra eles.Despedem-se,não mais despidos,mas sim totalmente vestidos,do que são,quando não mais são,ou estão juntos.E os olhos não mais se encaram,porque estão de novo ocupados em olhar para outras direções.
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