
“Eu quero me chamar Mar” e lamber as areias da praia que o vento todo dia rearranja. Quero me entregar ondulante à constância das marés. Quero carregar no meu dorso o reflexo branco da lua. Quero revolver –me de uma vida intensa e no entanto escondida. Quero banhar de sal os corpos que se oferecem a mim, balançando-os num suave marejar. Quero dar ao pescador o que ele espera, ainda que pareça pouco, e que possa não saciar,mas dei,e era eu, um inteiro fraccionado aconchegado na palma da mão. Quero engrossar com a chuva, pingo a pingo engolindo uma água que se irmana à minha. Quero, cheia de sol, quente, refletir uma luz que é maior e mais sábia. Quero, correnteza, ir, apenas ir, com todo medo e prazer desejados,que antecedem uma entrega, ou jornada. Mar. Ondas. Um azul de paz e de mistério, ou um verde alegre, de inofensivo convite. Claro. Translúcido. Ou turvo, nas turbulências das estações que passam. Movimento, agitação salgada, ou marola. Mas Mar. Sem tamanho e sem medida.
P.S.: A frase do início,e que motivou o resto, vi na comunidade de Caio Fernando Abreu no Orkut. Não sei se realmente é dele. Só sei que gostei,e que serviu. =)
5 comentários:
"Mar. Ondas. Um azul de paz e de mistério, ou um verde alegre, de inofensivo convite..."
O mar pode ser mais que belo, pode ser assustador... uma vez quase me afogo, tentando salvar uma menina que se afogava, em Natal (RN). O mar parecia vivo... depois disso, perdi a graça de entrar tanto nele. O mar aos peixes; eu fico com a praia - que é mais feminina - e faço amor com suas aguás rasas, saia curta de menina. Enfim... eu não olho a natureza pelos olhos dos "idealistas", prefiro fazê-lo pelos olhos dos realistas. Dói mais, mas dói menos.
Clarita, cê tá ficando cada vez melhor na escrita. Um xêro, minha querida.
P.
O mar assusta e e (en) canta...
=)
Singelo texto, moça.
Brigada pelo elogio,Pata! E obrigada pela visita e pelas palavras,Eveline! =D
Obrigado pelo comentário meiguinho lá no meu blog, viu?
Um xêro, querida.
:)
:c)
Claritazinha
\o/
Postar um comentário