Vontade de tomar para mim, fazer estardalhaço. Invadir, conquistar, demarcar com meu cheiro. Fincar bandeira, povoar cada espaço. Despir de sentido qualquer não que impeça, derrubar com meu exército as barreiras de defesa. Me espalhar pelo território, garantir a conquista. Mandar avisar que cheguei, e que o inimigo correu temeroso. Renovar com fogo. Não racionalizar, pertencer, vincular, anexar. Ir. Pegar. Expandir.
Desejar, querer e ter. Cartas na mesa, olho no olho, o seu, meu.Tua. Sem bússola. Costurar o destino nos passos de ida. Avançar. Avistar. Salivar. Chegar.
sexta-feira, 9 de dezembro de 2011
domingo, 26 de junho de 2011
sexta-feira, 24 de junho de 2011
E continua a fluir, dentro de mim, essa força que se dilui em rios vários, que se perde em seus próprios contornos, mas retorna e permanece, ainda que mudada, ecoando.
Nas paredes brancas da casa o som passeia e a imagem refletida no espelho brinca de reconhecer a si mesma, já sabendo a resposta. Os dias carregam a poeira dos descuidos, das entrelinhas, do achar que é, sem ser, ou sendo. Fora, a representação vive alimentada dos vôos internos, e nem sempre se completa a rota. Daí é um voltar que conta o tempo que relógio nenhum marca, para sair depois, e continuar. Vivendo.
Nas paredes brancas da casa o som passeia e a imagem refletida no espelho brinca de reconhecer a si mesma, já sabendo a resposta. Os dias carregam a poeira dos descuidos, das entrelinhas, do achar que é, sem ser, ou sendo. Fora, a representação vive alimentada dos vôos internos, e nem sempre se completa a rota. Daí é um voltar que conta o tempo que relógio nenhum marca, para sair depois, e continuar. Vivendo.
terça-feira, 1 de fevereiro de 2011
“De sonho não se vive” disse o velho sentado no batente, à moça de olhos molhados. Pigarreando, o velho continuou o discurso, enquanto, olhando para lugar nenhum, perdida em paisagens interiores, a moça meditava. Na esquina, alguém batia um tapete na janela. Na calçada oposta, uma mãe fazia tranças no cabelo da filha inquieta. O tempo escorregava preguiçoso, naquela cidade a que fora ‘espairecer’, como tinha sugerido a mãe. O velho repetiu a frase sobre sonhos, dessa vez já de pé, segurando no seu braço, como se a estivesse alertando sobre um grande perigo. A moça apenas sorriu, uma reação inesperada, dada a seriedade do velho, e à situação úmida dos seus olhos. Antes de voltar à casa, porém, refletiu. O velho tinha razão. De sonho não se vive, mas também não se foge.
segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Pedro e Sabrina
-Está chovendo. Gosto de ver os pingos de água manchando as janelas.
-Acho que a chuva segue o humor da gente.
-Talvez. Vou lá fora. Quero me molhar.
Saiu correndo para abraçar o temporal. Em questão de segundos, ficou totalmente ensopada. Sorria e erguia o rosto para o céu, como se buscasse um reconhecimento. Andou pelo pátio, parando para observar as gotas deixando marcas no chão, nas folhas, na terra. Não pareceu se incomodar em nenhum momento, ou mesmo sentir frio. Era noite e a iluminação se resumia às luzes vindas da casa e ao amarelado de uma lâmpada de poste um pouco ao longe, na esquina.
Pedro ficou parado na soleira da porta, sem se mexer, com medo de interferir no que acontecia à sua frente. Sentiu que começava a viver algo, experimentava um novo que não o assustava. Sabrina, parecendo estar satisfeita com o banho que tomara, dirigiu-se de volta a casa, sem desviar o olhar dos olhos de Pedro.
- Você está toda molhada agora.
-Era exatamente isso que eu queria.
-Podemos entrar?
-Sim, desde que você prometa lamber cada gota dessa água do meu corpo.
Por um segundo, Pedro ficou sem ação. Sabrina se oferecia a ele, mostrando onde gostaria de ser tocada. Vendo que ele não reagia,quase rindo,ela disse:
-Vem, que eu te ensino.
Entraram e, ao mesmo tempo, quase como um clichê de filme romântico, o temporal cessou. Pedro e Sabrina começariam uma dança que vem sendo coreografada e executada desde o começo dos tempos. E embora se julgue saber dos passos e movimentos, não há ensaio suficiente que previna as surpresas.
P.S.: A imagem que ilustra o texto é de um quadro de Jack Vettriano.

