sábado, 24 de novembro de 2007

Mel de cana

Doce feito mel de cana.Mais bonita que pastagem verde depois da chuva.Todo dia a via passar,vestido florido,bacia de roupas na cabeça,cheiro de manga madura e ficava sem ação.Ela,sorrindo timidamente,sempre o cumprimentava,e ele respondia apenas com um aceno.Fazia apenas três meses que trabalhava ali,no engenho de cana da fazenda de Seu Josué,e há três meses dentro dele a paixão fermentava.Homem de poucas palavras,poucos amigos,não se sabia de seu passado,nem se tinha família,dizia apenas que tinha vindo de Monteiro,e que trabalhava desde menino.Forte,discipilinado,era o primeiro a chegar no engenho e o último a sair.Evitava gastar dinheiro no forró e raras vezes ia fumar e beber cachaça com os outros trabalhadores no boteco da praça da Igreja.Noite e dia pensava em Luzia.Caçoavam dele,porque quando a via,ficava paralisado,vidrado nela,como se tivesse visto assombração.Ele não permitia brincadeira,resmungava e saindo do transe,voltava logo ao serviço.E assim corriam os dias e Everaldo naquela adoração silenciosa pela morena.Luzia,vaidosa e esperta,sabia que atraia os homens da fazenda.Gostava de ve-los tentando sempre chamar sua atenção,assobiando,gritando elogios.Até presentes recebia.Todo fim de semana eram muitos os convites pra ir ao forró.Luzia ia,dançava,alguns até beijava,mas gostar,gostar mesmo,não gostava de nenhum.Era romãntica e queria um amor de novela.A mãe temendo que a filha ficasse pra titia,rezava todo dia o terço pedindo que Santo Antônio arranjasse logo um marido para a filha avoada.Luzia seguiria assim,desdenhando os pretendentes e esperando pelo príncipe encantado se não fosse o olhar de devoção de Everaldo.Ele era o único que não a chamava para o forró,o único que não gritava elogios grosseiros.Era também o único que corava toda vez que ela sorria para ele.E foi isto que a comoveu.Esperou meses por uma aproximação,mas Everaldo se limitava a sorrisos discretos e olhares apaixonados.Uma tarde,voltando do riacho,cansada,teve uma surpresa desagradável.Viu o até então devotado Everaldo conversando com Maria,filha da cozinheira da fazenda.Tomada pelo ciúme,não pensou duas vezes.Largou a bacia no chão,correu até o casal,afastou a rival com um empurrão e beijou um surpreso Everaldo com tanta vontade que quem estava perto parou para ver a cena.Ouviram-se aplausos e assobios.O sol caia preguiçoso no horizonte.A primeira brisa fresca da noite sacudiu as folhas dos cajueiros e das mangueiras e impregnou o ar com o cheiro da cana recém cortada.Breve a lua surgiria,para acalentar mais uma história de amor inesperado.

2 comentários:

Eveline disse...

olha...que a mocinha também escreve.

"Breve a lua surgiria,para acalentar mais uma história de amor inesperado."

A lua é realmetne acalentadora mas tb nos faz sentir triste pelos amores que não chegam.

Beijos

Keep writing!!

Igor Von Richthofen disse...

menina romantica heheh