terça-feira, 27 de novembro de 2007
Porto
Amanhecia.Trocaram um olhar sem promessas.Embora já vestida,ela ainda se sentia nua na frente dele.Vulnerável,o sorriso escondia a melancolia que estava por vir,ela sabia que ele não voltaria.Ele,senhor das situações,despreocupado,já se despedia.Ela recebia resignada os últimos beijos.Parecia que seu destino era ser um porto,aonde os homens atracavam em épocas de tempestade ou bonança,para logo zarparem,em busca de novos tesouros e aventuras.Os olhos negros olharam displicentes,ele sorriu,acariciou seu rosto,e partiu.Sentindo frio,abraçou a si mesma e voltou para a janela.O sol,tímido,escondia-se atrás de nuvens magras e amareladas.O dia nascia,mas não para ela.Passaria longas horas rememorando a noite,sentindo saudades e desejando inocentemente que o vento trouxesse de volta aquele barco para o seu porto.
2 comentários:
"Parecia que seu destino era ser um porto,aonde os homens atracavam em épocas de tempestade ou bonança,para logo zarparem,em busca de novos tesouros e aventuras.Os olhos negros olharam displicentes,ele sorriu,acariciou seu rosto,e partiu.Sentindo frio,abraçou a si mesma e voltou para a janela." Tem mais o que se falar não,ta expondo as feridas e fazendo algo produtivo com elas.
"nuvens magras e amareladas." Adorei isso. =)
O ir pra longe e deixar o que se quer perdido no tempo é sempre complicado e doloroso. O que acontece é que o egoísmo humano ainda supera muitas vezes os melhores sentimentos. Por isso as vezes nós vamos...ou o outro vai.
Gostei do seu texto, moça. Continue assim...a cada dia que passa seus textos estão melhores.
Beijosss
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