terça-feira, 8 de dezembro de 2009

The dive


I dive in, I dive into it. I loose control. There’s a sea full of tiny beings swimming in dark blue waters. It’s too much to look at, to take in, to notice, to deal with. Too much life spreading through all the liquid spaces, even under the most unsuspicious rock, hiding inside the sand. There are colors, different colors blasting, blazing, coming from everywhere, trying to catch the eye. There are weird criatures, glowing their weirdness. There are beautiful, clear, soft, amusing pet-like species, that flow to the light, that run through the bright blue waters up and down, fast and slow, here and there. There are plants and flowers with amazing smells and textures, but some of them will hurt you, if you touch them the wrong way. I swim until it’s not safe and I have to go up and catch some air. Then I look down and see my face,myself reflected. I realize why it seemed so familiar: I had been swimming inside the ocean of me.

P.S.: Imagem - Under the sea, de Jason Torgerson

sábado, 14 de novembro de 2009

"À flor dos lábios, a alma". Tudo que dói, tudo que sangra, tudo que pulsa, pode transbordar. Tudo que é, pedindo toque. Tudo que falta, pedindo voz. Tudo que sobra, pedindo espaço. Da boca pro beijo da vida. No beijo o quente do querer, o bafo morno do que lá dentro cozinhava. Pegue, toque, leve. A abertura dos lábios sopra um tímido sim. É meu e seu, agora. Não mais me cabe guardar tudo. Carregue consigo essa expressão, esse grito, esse ai, esse suspiro, essa vontade. Porque quando sai, o vento leva, o acaso impulsiona, a ocasião revela, o querer, ressoando, junta. À flor dos lábios, a alma. Uma pequena-grande amostra. Uma revelação. Uma janela semi aberta. Deixa entrar, deixa ver, deixa levar, deixa fluir. É tempo. A natureza impondo, com sol forte e lua de céu imenso, anuncia. É tempo de deixar o rio correr.

P.S.: A frase entre aspas(talvez não exatamente transcrita) eu ouvi, há pouco, num filme e acabou sendo o mote do textinho. =)

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

E o senhor quer saber se eu amo ela? Amo, amo sim. Agora eu não sei porque. Não é por causa dos meninos, graças a Deus, dois meninos saudáveis e bons. Vai ver é porque ela é minha. Tem cheiro de mulher minha, um cheiro misturado de nós dois, que eu gosto de sentir todo dia no gangote dela, logo de manhã cedinho. Cozinhar ela cozinha bem demais! O senhor venha aqui qualquer domingo, e comprove: junta vizinho pra comer a feijoada dela! Fico até com ciúme,mas ela sempre ri, me chama de besta e me dá aquele olhar só dela, um olhar de acolhimento, que eu acho que acolhe só eu mesmo. Eu amo ela porque ela é ela,pronto! Ela é daquele jeitinho dela, que vai me abrindo os braços todo fim de tarde quando eu chego e parece que eu chegando,é quando a alegria dela é maior. O senhor entenda: às vezes parece que nós dois fomos tirados do mesmo molde. A gente encaixa direitinho,visse? Mas isso o senhor não precisa anotar! Mas olhe, falando sério, a verdade verdadeira é que eu amo ela porque só ela é ela, só ela sabe de mim, só ela entende, só ela é capaz de mudar o tom do meu dia, seja com um sorriso ou com a boca feito um bico, uma cara atravessada de raiva(às vezes a gente briga, eu não gosto, mas depois é bom, quando a gente se entende de novo). Pois é isso, nessa vida foi ela que foi feita pra mim, e eu pra ela, e a gente se encontrou e se pertence e quem quiser ter inveja que tenha, que meu santo me afasta dessas maledicências. A gente vive pra gente, nossa vidinha de todo dia, de trabalho, feijão no prato e chamego na rede. Os meninos crescendo bem e Rita me recebendo todo dia, não preciso de mais nada. Vez em quando, o senhor veja como é estranho, me dá um medo que tudo se acabe e Rita desapareça por aí com os meninos nos braços. Não gosto quando penso essas coisas, chega dá um gosto ruim na boca! Mas penso que onde ela fosse, eu iria atrás, pois se na vida cada um tem seu par, o meu coração só faz pareia com o dela.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Acordou com a marca da mordida dele em meia lua, logo acima do mamilo rosado do seio esquerdo. Os dentes formavam um código desigual, um braile só pra eles dois. Ainda despida, admirou a marca à luz do dia que entrava pela janela. Mesmo escondida pela roupa, ela a sentia. Durante o expediente, se pegou indo várias vezes ao banheiro, para admirar a marca no espelho, assim, meio revelando meio escondendo, com um sorriso diferente no rosto. A excitação da novidade. A ansiedade pelo que viria. Nem ela sabia até onde deixaria que ele chegasse. Ou mesmo se poderia controlar de novo o fluxo dos acontecimentos. Até ontem, estava no controle. Um homem, uma mulher, desejo mútuo, disponibilidade, oportunidade. Mas então ele deixou uma marca, como se por ali pretendesse ir tomando conta do todo. Uma invasão, um pequeno território conquistado. Lembrava bem do olhar dele na hora em que a mordeu. Quase fúria. Sentiu dor,e quis sangrar na boca dele. Ofereceu o outro seio, mas então ele já descia por outros caminhos. Surpresa, deixou-se levar. Percebeu que ele sorria. Seria aquela a senha, o modo, a maneira de fugir do lugar comum do nos-separamos-depois-do-gozo? Manhã cedo, ele já não estava mais lá. Acariciou o seio marcado com zelo e seguiu com a rotina do dia. Esperou por ele em cada esquina, em cada telefonema, e-mail, recado. Adivinhou sua presença para dali a logo mais. Não importava. Se ele não viesse, ela iria, em busca de novas marcas.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009


Era uma menina de flor. De sol e praia, de sonhos, de doce. De brincadeiras e de passos dados despreocupados no desenrolar dos dias. De correr e de parar. De aparecer e de esconder. De cair,ralar joelho,ferida sarar com merthiolate, e levantar. De cheirar a natureza e olhar o céu pela janela. Dona do seu pequeno grande mundo. Virou uma mulher de borboleta, de casulo e asas. De desejos. De paixões intensas, vermelhas feito o sangue que corre debaixo da pele branca. De sonhos azuis feito o céu que gosta de olhar, surpresa e acalentada, de madrugada. De passos dados com cautela, pesados na sua balança de pesos e medidas e idéias. De passos dados sem cautela, levados pelo fogo que corre às vezes, pela audácia que de repente surge e que ela assume,como se tivesse sido sempre sua. De choros e ânsias e revoltas de manchar travesseiro. De palavras, que fala pensando, sem pensar, que escreve, que brotam, como se tivessem nascido antes dela. De sentimentos, feito maré, ora marola, ora mar cheio, mas profundos, água dentro do poço, que dependendo da luz, se vê bem(ou não). Uma mulher,a palavra enche a boca, mu-lher! De útero, de batom, de alma, de pé no chão ou mente a vagar, pelo ar. De vento que sopra e balança o cabelo e beija o rosto. Viva. Hoje. Aqui. Agora. Acabado um ano,e por um ano mais. Eu. Mutação, criação,expectativa, confusão. Mas eu. Mais do que antes , mais do que sempre, mais. Eu.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Um céu azul escuro estrelado cobre o mundo. Um cheiro de existências cansadas. Um bebê chora abafado pelo som da tv. Um casal janta compartilhando um silêncio raivoso, de solidão mútua. Calada, calando, ela espera, sem saber bem o quê. A vida, um caleidoscópio, um esconde-mostra. E ela esperando. Talvez a melhor hora de entrar na dança, para não perder o passo. Talvez uma resposta, ou várias. Um suspiro de ânsia, um sorriso calado. E os sentimentos fervilhando na panela(para uma ebulição tardia?).
O ronco do ônibus. Uma discussão ao longe. Um riso perdido na noite de tantas facetas, tantas expectativas, de tanta gente espalhada, espalhando, recolhida, se mostrando. A calma chegada da meia noite. Os sonhos guardados, os novos, os revisitados, os insuspeitos, os esperados. O correr dos dias. O fechar-abrir das fases, das história, dos ciclos. O olho que cansado, ainda vê, ainda quer ver(e ser visto). A pessoa, a mulher, o ser, aqui, ali, no meio, a caminho, indo, voltando, sendo. E no coração uma expectativa de acontecimentos importantes. Virão? Não sabe. Mas quieta, sentindo, espera.

sábado, 12 de setembro de 2009



No coração não tem relógio. O tempo é uma abstração, um criação que apenas em parte depende do exterior. Os sentimentos vão e vêm, passam e ficam, ora fluidos, ora pesados feito chumbo. Mas o que se é realmente, permanece, embora à mercê das batidas. Quando passado presente e futuro entrelaçados, quando o sentir e o querer confundidos, podem tirar um coração de compasso...


Obs.: Imagem do deviantart.com